O que cinco filmes eleitorais revelam sobre a comunicação em campanhas políticas?
- monIA Insights

- 17 de jun.
- 6 min de leitura

As eleições de 2026 estão se aproximando e, em breve, candidatos de todo o país começarão a disputar algo tão valioso quanto o voto: a atenção das pessoas.
Mas será que campanhas políticas eficazes seguem sempre a mesma fórmula? Existe um padrão emocional comum entre os filmes políticos que geram melhores resultados? Ou diferentes estratégias podem levar a desempenhos igualmente relevantes?
Foi a partir dessas perguntas que decidimos realizar um exercício utilizando a metodologia DAIVID.
Para esta análise, selecionamos cinco filmes eleitorais de contextos diferentes. O objetivo não era comparar candidatos ou avaliar campanhas específicas, mas entender como a plataforma interpreta diferentes abordagens criativas dentro da comunicação política.
O recorte incluiu dois filmes de um candidato e dois filmes de outro candidato, ambos oriundos de campanhas para prefeituras realizadas em cidades e contextos distintos nas últimas eleições municipais. Como essas campanhas não concorreram entre si, a proposta não foi estabelecer uma comparação eleitoral direta, mas observar como estratégias criativas diferentes se comportam quando analisadas pelos mesmos critérios.
Além disso, incluímos um filme mais recente de uma liderança política em fase de construção de notoriedade nacional. Dessa forma, foi possível observar não apenas diferenças entre candidatos, mas também diferenças entre peças de uma mesma campanha e entre momentos distintos da comunicação política.
A proposta era simples: observar como diferentes narrativas são traduzidas pela DAIVID em indicadores de atenção, emoções, lembrança e intenções comportamentais.
Mais do que identificar qual filme apresentou o melhor resultado, buscamos entender quais caminhos de comunicação foram escolhidos por cada campanha e como essas escolhas se refletiram nos diferentes indicadores analisados.
Os resultados mostram que, embora todos os filmes compartilhassem o mesmo objetivo — construir conexão com o eleitor —, cada um percorreu um caminho bastante diferente para chegar lá.
Como a DAIVID analisa filmes de campanhas políticas?
Antes de explorar os resultados, vale entender o que exatamente a metodologia DAIVID avalia em uma peça de comunicação.
Em campanhas eleitorais, a análise não se concentra em um único indicador agregado, mas na leitura conjunta de diferentes sinais que ajudam a compreender como a mensagem está sendo recebida pelo público.
Entre os principais indicadores observados estão:
Atenção: a capacidade do filme de capturar e manter o interesse do público ao longo da exibição.
Emoções: as respostas emocionais despertadas pelo conteúdo, permitindo identificar quais sentimentos são mais associados à narrativa apresentada.
Recall: a capacidade do público de associar corretamente a mensagem ao candidato após assistir ao filme.
Intenções comportamentais: indicadores como compartilhamento, recomendação e outras reações que ajudam a compreender o potencial de mobilização gerado pela comunicação.
Além desses indicadores, a plataforma analisa dezenas de emoções específicas e outros sinais que ajudam a explicar por que determinado filme gera determinadas respostas junto ao público.

Diferentes caminhos para construir conexão com o eleitor
Ao observar os diferentes indicadores analisados pela plataforma — atenção, emoções, recall e intenções comportamentais — percebemos que algumas campanhas se destacaram mais pela capacidade de capturar atenção, enquanto outras apresentaram maior potencial de mobilização, melhor desempenho em lembrança ou perfis emocionais mais amplos.
Esse comportamento revela um aspecto interessante da comunicação política: não existe um único caminho para construir conexão com o eleitor.
Embora todos os criativos analisados compartilhassem o mesmo objetivo, cada campanha escolheu territórios emocionais bastante diferentes para construir sua narrativa. Algumas apostaram em confiança e credibilidade. Outras buscaram despertar esperança, gratidão ou identificação com problemas enfrentados pela população.
A seguir, exploramos os principais perfis emocionais identificados na análise.
Campanha A — confiança, esperança e gratidão
Entre todos os filmes analisados, esta campanha apresentou o repertório emocional positivo mais amplo.
Os maiores destaques ficaram para Confiança, Conhecimento, Gratidão, Alívio e Esperança.
O conjunto dessas emoções sugere uma comunicação voltada para transmitir credibilidade, demonstrar compreensão dos desafios enfrentados pela população e, ao mesmo tempo, apresentar uma perspectiva positiva de futuro.
É uma campanha que parece buscar o equilíbrio entre reconhecer problemas e reforçar a percepção de que existem caminhos para solucioná-los.

Campanha B — confiança, conhecimento e satisfação
Entre os filmes analisados, esta campanha apresentou um dos perfis mais equilibrados entre atenção, recall e repertório emocional positivo.
Além de Confiança, Conhecimento, Gratidão e Alívio, foi o único criativo a registrar destaque relevante para Satisfação.
O conjunto sugere uma narrativa mais orientada à percepção de realização, capacidade de entrega e clareza na comunicação da mensagem.
Além do destaque emocional, esta foi também a campanha que apresentou os melhores resultados combinados de atenção e recall entre todas as peças analisadas.




Campanha C — liderança, reconhecimento e credibilidade
Esta campanha apresentou uma combinação emocional marcada por Conhecimento, Confiança, Gratidão e Admiração.
A presença de Admiração a diferencia dos demais criativos analisados e sugere uma comunicação associada a reconhecimento, experiência e liderança.
Enquanto algumas campanhas priorizam esperança ou identificação com problemas cotidianos, esta narrativa parece construir sua conexão com o eleitor a partir da valorização da trajetória e da autoridade percebida do candidato.
Apesar do perfil predominantemente positivo, esta campanha também apresentou destaque para Culpa e Raiva em comparação com a média da base, sugerindo momentos em que a comunicação alterna reconhecimento da trajetória com críticas ou apontamentos sobre problemas que demandam mudança.



Campanha D — credibilidade com potencial de mobilização
Esta campanha apresentou um perfil emocional mais concentrado, com destaque principalmente para Conhecimento e Confiança.
À primeira vista, trata-se de um repertório emocional menos amplo do que o observado em outros criativos da análise. No entanto, alguns indicadores comportamentais ajudam a complementar essa leitura.
Além dos bons resultados em recall, destacou-se principalmente pelos maiores índices de compartilhamento e recomendação entre os filmes analisados.
Os dados sugerem uma comunicação focada na construção de credibilidade e compreensão da mensagem, mas que também demonstrou forte potencial de mobilização entre o público exposto.



Campanha E — empatia através dos problemas da população
Esta campanha apresentou um perfil emocional bastante distinto dos demais.
Seus principais destaques emocionais foram Dor Empática e Alívio, mas a campanha também concentrou os maiores índices de emoções negativas observados em toda a análise.
Além da forte presença de Dor Empática, o filme registrou os maiores índices de Raiva (310), Nojo (160), Medo (158) e Desconforto (150) entre todos os criativos avaliados. O conjunto sugere uma estratégia baseada na exposição de problemas concretos enfrentados pela população, buscando gerar indignação e senso de urgência antes de apresentar uma perspectiva de solução.
Esse padrão sugere uma estratégia de comunicação baseada na identificação com dificuldades enfrentadas pela população. Ao apresentar problemas concretos e situações que impactam diretamente a vida dos cidadãos, o filme busca gerar reconhecimento e proximidade emocional.
A presença simultânea de Alívio indica que a narrativa não se limita à exposição dos problemas, mas também procura apresentar uma perspectiva de solução.
Entre os criativos analisados, foi o que mais se aproximou de uma estratégia baseada na empatia com os desafios cotidianos da população.



O que os dados nos mostram sobre comunicação política?
Talvez o aspecto mais interessante deste exercício tenha sido perceber o quanto campanhas aparentemente semelhantes podem estar construindo conexões emocionais completamente diferentes com o eleitor.
Antes da análise, seria fácil olhar para os cinco filmes e classificá-los simplesmente como peças de comunicação política. No entanto, quando observamos os dados em profundidade, surgem narrativas bastante distintas.
Algumas campanhas se apoiam em esperança e gratidão. Outras buscam transmitir liderança e reconhecimento. Há aquelas que priorizam a construção de credibilidade, enquanto outras apostam na identificação com problemas enfrentados pela população.
Um aprendizado importante deste exercício é que, no contexto eleitoral, dificilmente um único indicador é capaz de explicar sozinho a força de uma campanha. Atenção, emoções, lembrança e intenções comportamentais revelam dimensões diferentes da resposta do público. Observá-las em conjunto permite compreender não apenas se uma mensagem gera impacto, mas principalmente como esse impacto está sendo construído.
Outro aspecto interessante foi observar que emoções negativas não aparecem necessariamente de forma isolada ou desconectada das emoções positivas. Em algumas campanhas, elas funcionam como parte da construção narrativa, especialmente quando a mensagem procura evidenciar problemas, gerar senso de urgência ou estimular reflexão sobre situações que precisam ser transformadas.
Esse é justamente um dos papéis da DAIVID: transformar algo que normalmente seria interpretado de forma subjetiva em dados observáveis e comparáveis.
À medida que as eleições de 2026 se aproximam, compreender não apenas o que está sendo comunicado, mas também como essa comunicação está sendo recebida, pode se tornar um diferencial importante para equipes de campanha, profissionais de marketing político e pesquisadores da área.
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